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19.01.2026 03:38 PM
Bitcoin cai na mesma armadilha

Se a geopolítica ajudou o Bitcoin a levantar a cabeça, a perspectiva de uma guerra comercial entre os EUA e a Europa voltou a deixar a criptomoeda prostrada. Os investidores recordaram abril do ano passado, quando a imposição das maiores tarifas desde a década de 1930 pela Casa Branca deu origem à narrativa de "vender os EUA". Naquele momento, ativos de risco — incluindo os digitais — sofreram fortes perdas. Se Donald Trump pretende transformar os EUA na capital cripto do mundo, conflitos comerciais certamente não são um bom presságio para o BTC/USD.

Por outro lado, os episódios envolvendo Irã e Venezuela, e a crescente divisão do mundo entre Ocidente e Oriente, aceleraram o processo de desdolarização e abriram espaço para que o Bitcoin tentasse romper o intervalo de consolidação de médio prazo entre 85.000 e 95.000. Em 13 de janeiro, os ETFs focados em cripto registraram entradas de US$ 760 milhões, o maior volume desde outubro. Uma parcela significativa, US$ 351 milhões, foi direcionada a um ETF especializado da Fidelity. Os touros do Bitcoin argumentam que entradas contínuas nesse patamar poderiam impulsionar o BTC/USD novamente acima de 100.000.

Fluxos de capital para ETFs de bitcoin

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No entanto, a ofensiva tarifária de Donald Trump contra países europeus — 10% a partir de 1º de fevereiro, com elevação para 25% em junho — virou o cenário de cabeça para baixo. Em abril de 2025, a criptomoeda já havia sofrido um forte impacto com a imposição de amplas sobretaxas de importação pela Casa Branca. Na sequência, iniciou um processo de recuperação em conjunto com os índices de ações dos EUA, impulsionado pelo chamado trade TACO — "Trump Always Backs Down" (Trump sempre recua). Em outubro, o Bitcoin atingiu uma nova máxima acima de 126.000, mas o ímpeto dos touros do BTC/USD rapidamente perdeu força.

A queda da volatilidade, as saídas de capital dos ETFs e o colapso das ações de tesourarias cripto levaram investidores a realizar lucros, enquanto detentores de longo prazo passaram a transferir novos tokens para fora de carteiras antigas. Ainda assim, a faixa de 85.000–95.000 mostrou-se resiliente e conteve o avanço dos ursos do BTC/USD. Caso contrário, um novo "inverno cripto" poderia ter se materializado.

A Jefferies, empresa global de banco de investimento e mercados de capitais, considera esse cenário pessimista plausível. A instituição reduziu sua alocação em ativos digitais em 10%, citando preocupações com segurança. Segundo a análise, avanços em inteligência artificial e computação quântica podem, no futuro, tornar o armazenamento de Bitcoin e de outros criptoativos em carteiras digitais significativamente mais vulnerável. Com isso, os ursos do BTC/USD ganharam um novo argumento, aumentando o risco de uma retomada da tendência de baixa no horizonte.

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Assim, a deterioração do apetite pelo risco, decorrente do aumento das probabilidades de uma guerra comercial entre os EUA e a Europa, somada às preocupações com segurança, prejudicou o Bitcoin. Os influxos em ETFs podem rapidamente transformar-se em fluxos de saída, uma vez que os investidores tendem a reagir aos movimentos de preço, e não a antecipá-los.

Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do BTC/USD mostra condições para que o padrão "spike and shelf" evolua para um "fakeout and dump". Para que esse cenário se confirme, os preços precisam cair abaixo do ponto médio do canal de consolidação. Uma quebra consistente do suporte em 90.400 forneceria a base técnica para a intensificação das vendas.

Marek Petkovich,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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