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A boa notícia para o S&P 500 é que os lucros corporativos podem crescer em dois dígitos pelo terceiro ano consecutivo. A má notícia é que isso já está amplamente precificado. No fim de 2025, praticamente nenhum analista de Wall Street esperava uma queda do índice amplo no ano seguinte, e as pesquisas com investidores eram inequivocamente otimistas. Por enquanto, o mercado acionário vem correspondendo a essas expectativas, mas isso não seria apenas comprar no rumor? Até que ponto uma eventual venda no fato poderia pressionar os preços para baixo?
Sem exagero, 2026 pode ser chamado de um ano de convulsões. Episódios envolvendo Venezuela, Irã e Groenlândia, além das ameaças da Casa Branca de impor novas tarifas à Europa, à Coreia do Sul e ao Canadá, seriam suficientes para afastar muitos investidores das ações dos EUA. Ainda assim, em grande medida, o mercado trata esses fatores negativos apenas como ruído. A economia americana segue resiliente, o que sustenta expectativas de resultados corporativos sólidos e reforça o argumento de compra para o S&P 500.
Dinâmica das estimativas de lucros para as empresas do S&P 500
O consenso de Wall Street projeta crescimento dos lucros corporativos de 15% em 2026 e outros 15% em 2027. Após um avanço de 13% em 2025, essa sequência de aumentos de dois dígitos soa impressionante — a mais longa desde a crise financeira global de 2008. No entanto, caso algo saia do roteiro, a frustração tende a ser proporcional. Ao mesmo tempo, resultados mistos das chamadas "Sete Magníficas" no quarto trimestre evidenciam riscos relevantes. Números decepcionantes da Microsoft derrubaram suas ações em 5%, enquanto a Meta Platforms surpreendeu positivamente e avançou 10%.
Impulsionado pelo otimismo dos investidores em relação aos lucros, o S&P 500 superou a marca psicologicamente importante de 7.000, após 302 dias de alta. Esse nível passou a funcionar como uma espécie de linha divisória. Os altistas argumentam que ele foi alcançado graças a um forte momentum de resultados e que o rali pode continuar. Já os ursos destacam que as avaliações se tornaram ainda mais esticadas.
Momento em que o S&P 500 atingiu níveis históricos
Os mercados estão tão focados nos lucros do quarto trimestre que estão ignorando não só a geopolítica, mas também a reunião do Fed. Após três medidas de expansão monetária, o banco central decidiu pausar o ciclo, uma decisão contestada por Stephen Miran e Christopher Waller. Em seguida, as chances de Waller se tornar o próximo presidente do Fed aumentaram.
Donald Trump quer um "pombo" no comando do banco central. No entanto, o FOMC não é uma instância de decisão individual, e o apoio contínuo a Jerome Powell por parte dos demais dirigentes indica que uma redução dos custos de empréstimo para 1% dificilmente ocorrerá sem resistência.
Do ponto de vista técnico, no gráfico diário, o S&P 500 recuou após atingir uma nova máxima histórica. O sentimento permanece otimista, o que torna razoável a estratégia de comprar nos recuos, que oferecem oportunidade para aumentar posições longas já estabelecidas. Os níveis-alvo são 7.060 e 7.140.