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13.03.2026 03:35 PMA realidade finalmente se impôs. O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, pretende continuar bloqueando o Estreito de Ormuz e pode ampliar os ataques a outros países do Oriente Médio. Donald Trump afirma que a alta dos preços não é o principal problema — a prioridade é encerrar o programa nuclear iraniano para que o país deixe de manter toda a região sob ameaça. O mercado, porém, já concluiu que o conflito tende a se prolongar. Os índices acionários recuaram em uníssono.
O S&P 500 fechou em queda em cinco das últimas seis sessões e já está cerca de 7% abaixo das máximas recorde registradas em outubro. As Sete Magnificas recuaram ainda mais. Um declínio de 10% — o limite técnico que caracteriza a entrada em território de correção para o grupo — agora parece cada vez mais próximo.
Desempenho das Sete Magnificas
Uma das razões é o recuo do público. Investidores de varejo vinham mostrando pouca sensibilidade às notícias macroeconômicas e compravam as quedas com entusiasmo. Mas a realidade é inexorável. Um conflito prolongado no Oriente Médio elevará os custos corporativos e pressionará os lucros. O S&P 500 tende a cair. Não surpreende que o JPMorgan tenha relatado uma queda de cerca de 30% na atividade de investidores de varejo na semana passada.
Um bloqueio completo do Estreito de Ormuz poderia elevar o petróleo a US$ 150 por barril, alerta o Macquarie Group; a Wood Mackenzie afirma que US$ 200 não é um cenário impossível. O Goldman Sachs projeta uma média do Brent em torno de US$ 145 entre março e abril. Em um cenário assim, os preços da gasolina nos EUA disparariam, enquanto o consumo cairia, desacelerando a economia ao mesmo tempo em que impulsionaria a inflação. O risco de estagflação está levando os investidores a tratar as ações com crescente cautela.
Dinâmica do petróleo e do MSCI global
A pressão sobre o S&P 500 também decorre do forte aumento da probabilidade de que a pausa do Fed nos cortes de juros se estenda até o fim de 2026 — as chances de que o banco central realize dois cortes neste ano caíram de 79% para 16%, ante apenas 4% antes do conflito no Oriente Médio.
Essa mudança, somada à elevação das expectativas de inflação, está pressionando para cima os rendimentos dos Treasuries, aumentando os custos de financiamento das empresas e prejudicando os lucros corporativos. Ainda assim, o crescimento dos lucros era a base das projeções otimistas dos analistas de Wall Street para o índice amplo no início de 2026.
Também pesam sobre o mercado as amplas investigações da Casa Branca sobre práticas comerciais desleais, que podem resultar em novas tarifas ao abrigo da Seção 301 do Trade Act — o que torna a queda do mercado acionário cada vez mais provável.
Do ponto de vista técnico, no gráfico diário do S&P 500, os ursos venceram a batalha pelo nível-chave de 6.770, abrindo espaço para a formação de posições vendidas. Um rompimento do pivô em 6.660, acompanhado de fechamento sustentado abaixo desse nível, justificaria a intensificação das vendas.
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*A análise de mercado aqui postada destina-se a aumentar o seu conhecimento, mas não dar instruções para fazer uma negociação.


