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Os europeus enfrentam contas de gás altíssimas, enquanto outros países enriquecem com redes neurais

Os europeus enfrentam contas de gás altíssimas, enquanto outros países enriquecem com redes neurais

Desde o início do conflito no Oriente Médio, os índices acionários europeus ficaram 7% atrás dos mercados globais. Analistas do Goldman Sachs atribuem esse desempenho fraco a uma combinação de três fatores que vêm pressionando a economia da região: incerteza energética, alta das taxas de juros e escassez de empresas ligadas à inteligência artificial.

A zona do euro é importadora líquida de energia e, por isso, permanece altamente vulnerável a choques geopolíticos. Embora o Brent tenha recuado para abaixo de US$ 90 por barril devido à fraqueza da demanda global, os preços do gás continuam subindo. Economias emergentes seguem comprando combustível em meio ao pico do consumo de verão, enquanto países desenvolvidos recompõem seus estoques antes do inverno. O Goldman Sachs destaca que a Europa é particularmente sensível ao custo do gás. A energia cara comprime as margens corporativas e reduz as expectativas de lucro por ação, afetando com mais intensidade a economia da Alemanha e o setor de consumo discricionário.

O segundo fator de pressão é a política monetária restritiva. Após a recente elevação de 25 pontos-base na taxa de juros pelo Banco Central Europeu (BCE), em um cenário de inflação persistente do lado da oferta e crescimento econômico fraco, os investidores passaram a precificar novos apertos monetários. Como consequência, os rendimentos de curto prazo avançaram, as taxas de juros reais entraram em território restritivo e os múltiplos de valuation das ações foram comprimidos.

Por fim, a Europa permanece à margem do boom global de investimentos em inteligência artificial. O setor de tecnologia representa apenas 10% do índice de referência europeu, ficando atrás de segmentos como financeiro, industrial e saúde. Enquanto isso, o crescimento global está cada vez mais concentrado em IA e semicondutores. Em comparação, o mercado americano acumula alta de 8% no ano, mas, excluindo empresas de IA, esse avanço cairia para apenas 2%. Já os mercados asiáticos, excluindo o Japão, subiram 18%, porém estariam em queda de 5% sem as fortes valorizações do setor tecnológico na Coreia do Sul e em Taiwan.

Apesar do pessimismo atual, analistas do Goldman Sachs enxergam espaço para uma melhora gradual nos mercados europeus. O banco projeta que o Brent se estabilize em torno de US$ 90 no quarto trimestre. Além disso, seus economistas esperam uma flexibilização da política monetária do Federal Reserve no curto prazo. Como estratégia, os analistas recomendam que investidores priorizem setores com maior previsibilidade de lucros: tecnologia, bancos, defesa/aeroespacial e energia renovável, e evitem ações de montadoras e empresas químicas.

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