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O homem propõe, Deus dispõe. Donald Trump nunca escondeu seus objetivos: um dólar mais fraco, rendimentos mais baixos e ações mais altas. Até o final de fevereiro, tudo parecia correr conforme o planejado. O índice do dólar americano caiu acentuadamente após a introdução das tarifas no chamado "Dia da Libertação da América", em abril. Os rendimentos dos títulos do Tesouro recuaram de 4,8% na posse do presidente para menos de 4%, enquanto o S&P 500 registrou seu terceiro ano consecutivo de ganhos de dois dígitos até 2025. No entanto, o conflito armado no Oriente Médio acabou virando tudo de cabeça para baixo.
Dinâmica dos títulos do Tesouro, do dólar americano, do petróleo e do S&P 500O dólar americano tornou-se o principal ativo de refúgio, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro subiram diante das expectativas de maior inflação e da possibilidade de o Federal Reserve manter a taxa dos Fed Funds elevada por mais tempo. Apenas o S&P 500 tenta manter-se estável, negociando há meses dentro de uma faixa de consolidação entre 6.800 e 7.000 pontos. A principal razão parece ser a confiança dos investidores de que o conflito no Oriente Médio não será prolongado. Até agora, os mercados ainda não precificaram plenamente o risco de um confronto de longa duração.
Como resultado, os setores mais afetados até agora têm sido os da chamada "velha economia": o Dow Jones e o Russell 2000, composto por empresas de menor capitalização, vêm apresentando desempenho inferior ao S&P 500 e ao Nasdaq Composite, enquanto entre janeiro e fevereiro a situação era inversa.
Dinâmica do índice Dow Jones
No entanto, quanto mais tempo o conflito armado no Oriente Médio durar, mais altos serão os preços do petróleo e maior será o impacto negativo dos riscos energéticos sobre a economia global. Os investidores já começam a duvidar da possibilidade de dois cortes de juros pelo Federal Reserve em 2026. As expectativas de um novo afrouxamento monetário podem ser adiadas para setembro, caso o relatório de emprego não agrícola (Nonfarm Payrolls) de fevereiro venha acima das previsões.
No início do ano, o consenso de Wall Street projetava uma alta de cerca de 10% no S&P 500 até o final de 2026, quando o mercado de derivativos ainda precificava três cortes de juros. Na prática, os investidores já perderam uma de suas "almofadas de segurança". Felizmente, uma segunda ainda permanece — o apoio de Donald Trump. É verdade que os desejos do presidente nem sempre se concretizam, mas sua intenção de sustentar o mercado de ações continua presente.
A notícia de que os Estados Unidos estariam considerando medidas extraordinárias para conter a alta dos preços do petróleo serviu como um sinal de estímulo para os touros do S&P 500. O mercado demonstra forte disposição para comprar nas quedas. Os investidores de varejo, em grande parte, ignoram o cenário pessimista e continuam prontos para adquirir ativos que consideram baratos.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do S&P 500 mostra mais um falso rompimento abaixo da borda inferior da faixa de consolidação entre 6.800 e 7.000 pontos — o quarto nas últimas cinco semanas. Os touros seguem defendendo suas posições. A formação de uma nova vela pin bar sugere uma possível entrada de compra no rompimento de sua máxima, perto de 6.870. Para que as posições de compras abertas nesse nível sejam mantidas, o índice amplo precisa se consolidar acima do valor justo em 6.885.