Canadá se prepara para o aumento dos preços e para tarifas de retaliação
Os cidadãos canadenses apoiaram amplamente a postura comercial firme do primeiro-ministro Mark Carney. A população está disposta a tolerar a inflação e preços mais altos para produtos de consumo cotidiano, em vez de ceder à pressão de Washington.
Uma nova pesquisa da Nanos Research, encomendada pelo The Globe and Mail, mostra que 85% dos canadenses aprovam a rejeição, pelo governo, do acordo comercial proposto pelos Estados Unidos. Outros 80% dos entrevistados apoiam a imposição de tarifas espelhadas sobre uma ampla variedade de produtos americanos. As medidas de retaliação de Ottawa deveriam entrar em vigor na terça-feira.
Os dados mostram que os canadenses estão dispostos a arcar pessoalmente com os custos das disputas geopolíticas. Cerca de 70% dos entrevistados afirmaram estar preparados para pagar mais por produtos básicos para fortalecer a posição de negociação do país. Ao mesmo tempo, dois terços da população reconheceram estar seriamente preocupados com o impacto das novas tarifas sobre os orçamentos das famílias. Apesar das preocupações financeiras, 60% acreditam que Ottawa pode defender os interesses econômicos do país.
As negociações bilaterais fracassaram no mês passado. Carney retirou a delegação canadense, classificando as exigências dos EUA como inaceitáveis. As divergências irreconciliáveis abrangiam uma ampla variedade de questões, desde tarifas de importação sobre caminhões até mecanismos de proteção da língua francesa.
Em meio ao conflito prolongado, a confiança no vizinho do sul caiu acentuadamente. Três quartos dos canadenses já não consideram os EUA um aliado confiável. Ainda assim, permanece uma visão pragmática de longo prazo: mais de 60% esperam que as relações bilaterais sejam restabelecidas nos próximos cinco anos.